No decorrer
desta semana tive a oportunidade de ler e analisar um texto intitulado
“Violência e sua crítica sociológica”.
Inserido na
temática da Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos, o texto trata
essencialmente de olhar a violência de forma científica.
Segundo o
autor, a violência existe, está presente nas sociedades e deve ser estudada de
modo a que não se torne exagerada ou desajustada. Devemos estudá-la no seu
todo, sem menosprezar parte alguma, e isto por si só já nos relembra Durkheim e
o estudo dos factos sociais pois, este defendia o estudo dos fenómenos sociais
no seu todo. A violência, como facto social que é, deverá assim ser entendida
no seu todo, pois desprezando partes dela nunca chegaremos a um estudo
objectivo e ajustado à verdadeira realidade.
A violência
pode então ser tratada então como um objecto de estudo e por isso, pode ser
classificada e tipificada em várias formas, assim podemos ter: violência politica,
económica, social ou até mesmo cultural. O autor avança no texto com exemplos
empíricos de todas estas violências, contudo e para não nos alargarmos passarei
ao essencial que é, todos os tipos de violência se interligam e influenciam,
podendo uma dar origem a outras.
Continuando
a análise do texto, depois destas notas introdutórias acerca da violência
enquanto objecto de estudo, o autor passa a analisar sociologicamente esta
temática.
Começa por
abordar a visão de Giddens (1985) acerca da violência relacionada com a
sociologia, referindo e resumindo na sua essência um estudo em que o próprio
defende que a sociologia tem um problema de falta de aderência às realidades
sociais, o que o leva a substituir as tradicionais dimensões sociais usadas
pelos sociólogos (politico, económico, social e cultural) para outras como o
capitalismo, industrialismo, o controlo social e a militarização, contudo estas
não tiveram seguidores, e aqui o autor do texto propõe um nome para estas novas
categorias que é contribuintes para o processo de modernização. Estes
contribuintes têm associadas contradições socialmente manifestadas tais como:
movimentos operários e de trabalhadores, movimentos pacifistas e contra a guerra,
movimentos ecologistas, etc.
Estudar a
violência pelo prisma de Giddens coloca uma questão, ou estudar a violência, ou
processos de violência, como algo em separado de tudo, ou seja estudar a
violência não como um todo inserido numa sociedade e num contexto mas em
separado disso; ou estudar a violência como algo inserido num contexto, numa
sociedade, produzido e reproduzido na mesma e construtor da sociedade moderna.
Esta última hipótese terá assim de ter em conta uma reorganização entre várias
áreas disciplinares (criminologia, sociologia, engenharia do trabalho,…) para
estudar a violência.
O autor
conclui que a visão de Giddens acerca da violência é disfuncional e demonstra
isso declarando o seu mais evidente disfuncionamento, a exclusão do mundo feminino,
uma das primeira e mais importantes diferenciações sociais. Giddens na sua
concepção de violência não entende que a evolução da sociedade se deu tendo em
conta a evolução de sociedades mais simples e, nesta lógica ficariam por
resolver as questões de emancipação das mulheres e estudos de género, entre
outras questões que Giddens não aborda e que na sua teoria acaba por
negligenciar deixando em aberto várias questões.
O texto em
análise termina com uma exposição acerca da violência na sociologia chamando a
atenção que, existem partes ou fracções da violência que são negligenciadas
pela sociologia (nesta visão de Giddens), como a violência contra as mulheres,
as crianças, os idosos, e outros grupos humanos marginalizados.
Como forma
de término, o autor desenvolve um conceito novo denominado “estados de
espirito” para nos fazer ver que a violência pode ser entendida como uma alma,
como um estado de espírito que de repente incorpora, por qualquer razão, num
homem ou mulher e o/a faz agir de determinada maneira. De acordo com esta
definição de violência, para a evitar basta ter um auto-controlo capaz de
resistir à entrada desse espirito.
A
classificação da violência deve ainda ter em conta a moral social da sociedade
onde ocorre de modo a que seja possível entender a violência integrada nas
dinâmicas e processos sociais.
A violência
pode ainda ser entendida como um conjunto de procedimentos sociais
particularmente energéticos e coercivos, que se forem utilizados de forma
adequada poderão ser usados para trabalho útil. Vista desta forma, a violência não
será uma coisa danosa mas sim um risco constante de mau uso das acções sociais
e da energia a elas associadas, controlado pelo habitus, pelas instituições,
pela educação, etc.
Assim, e em
justa medida, a violência pode ser encarada como algo bom se esta for devidamente
canalizada e se as energias dispensadas na mesma servirem para proporcionar e
reproduzir o bem comum na sociedade e nas suas populações e se com esta, a
sociedade evoluir e se tornar mais justa e humana para todo o cidadão.
Pode-se
concluir com este texto que a violência pode ser entendida e deve, como um
objecto de estudo passível de ser estudado e com necessidade disso mesmo visto,
esta estar presente nas sociedades e ser facto social. Esta deve ser estudada
no seu todo e tendo em conta as suas várias tipificações ou dimensões.
A violência
está interligada com a sociologia e só poderá ser estudada tendo em conta os
seus aspectos positivos e negativos e todas as suas dimensões. Desta forma
consigo idealizar um possível esquema que poderá ser útil para futuros estudos
nesta área:
Violência –
sociologia – serviços sociais – politicas (Estado)
Contudo, o
importante não é terminar com todas as forças opostas e com as lutas por
melhores condições ou para chegar a consensos (que podem levar a violência, sem
que esta seja desadequada ou prejudique alguém) mas encontrar um ponto de
equilíbrio para que a coesão e a vida em sociedade se desenvolva e evolua indo
ao encontro do bem-comum para toda a sociedade, mesmo que agora tudo isto
pareça utópico, desejavelmente é para isso que se deve trabalhar.
Margarida Piçarra
Navalhinhas
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