quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Violência – Questões iniciais

No decorrer desta semana tive a oportunidade de ler e analisar um texto intitulado “Violência e sua crítica sociológica”.
Inserido na temática da Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos, o texto trata essencialmente de olhar a violência de forma científica.
Segundo o autor, a violência existe, está presente nas sociedades e deve ser estudada de modo a que não se torne exagerada ou desajustada. Devemos estudá-la no seu todo, sem menosprezar parte alguma, e isto por si só já nos relembra Durkheim e o estudo dos factos sociais pois, este defendia o estudo dos fenómenos sociais no seu todo. A violência, como facto social que é, deverá assim ser entendida no seu todo, pois desprezando partes dela nunca chegaremos a um estudo objectivo e ajustado à verdadeira realidade.
A violência pode então ser tratada então como um objecto de estudo e por isso, pode ser classificada e tipificada em várias formas, assim podemos ter: violência politica, económica, social ou até mesmo cultural. O autor avança no texto com exemplos empíricos de todas estas violências, contudo e para não nos alargarmos passarei ao essencial que é, todos os tipos de violência se interligam e influenciam, podendo uma dar origem a outras.
Continuando a análise do texto, depois destas notas introdutórias acerca da violência enquanto objecto de estudo, o autor passa a analisar sociologicamente esta temática.
Começa por abordar a visão de Giddens (1985) acerca da violência relacionada com a sociologia, referindo e resumindo na sua essência um estudo em que o próprio defende que a sociologia tem um problema de falta de aderência às realidades sociais, o que o leva a substituir as tradicionais dimensões sociais usadas pelos sociólogos (politico, económico, social e cultural) para outras como o capitalismo, industrialismo, o controlo social e a militarização, contudo estas não tiveram seguidores, e aqui o autor do texto propõe um nome para estas novas categorias que é contribuintes para o processo de modernização. Estes contribuintes têm associadas contradições socialmente manifestadas tais como: movimentos operários e de trabalhadores, movimentos pacifistas e contra a guerra, movimentos ecologistas, etc.
Estudar a violência pelo prisma de Giddens coloca uma questão, ou estudar a violência, ou processos de violência, como algo em separado de tudo, ou seja estudar a violência não como um todo inserido numa sociedade e num contexto mas em separado disso; ou estudar a violência como algo inserido num contexto, numa sociedade, produzido e reproduzido na mesma e construtor da sociedade moderna. Esta última hipótese terá assim de ter em conta uma reorganização entre várias áreas disciplinares (criminologia, sociologia, engenharia do trabalho,…) para estudar a violência.
O autor conclui que a visão de Giddens acerca da violência é disfuncional e demonstra isso declarando o seu mais evidente disfuncionamento, a exclusão do mundo feminino, uma das primeira e mais importantes diferenciações sociais. Giddens na sua concepção de violência não entende que a evolução da sociedade se deu tendo em conta a evolução de sociedades mais simples e, nesta lógica ficariam por resolver as questões de emancipação das mulheres e estudos de género, entre outras questões que Giddens não aborda e que na sua teoria acaba por negligenciar deixando em aberto várias questões.
O texto em análise termina com uma exposição acerca da violência na sociologia chamando a atenção que, existem partes ou fracções da violência que são negligenciadas pela sociologia (nesta visão de Giddens), como a violência contra as mulheres, as crianças, os idosos, e outros grupos humanos marginalizados.
Como forma de término, o autor desenvolve um conceito novo denominado “estados de espirito” para nos fazer ver que a violência pode ser entendida como uma alma, como um estado de espírito que de repente incorpora, por qualquer razão, num homem ou mulher e o/a faz agir de determinada maneira. De acordo com esta definição de violência, para a evitar basta ter um auto-controlo capaz de resistir à entrada desse espirito.
A classificação da violência deve ainda ter em conta a moral social da sociedade onde ocorre de modo a que seja possível entender a violência integrada nas dinâmicas e processos sociais.
A violência pode ainda ser entendida como um conjunto de procedimentos sociais particularmente energéticos e coercivos, que se forem utilizados de forma adequada poderão ser usados para trabalho útil. Vista desta forma, a violência não será uma coisa danosa mas sim um risco constante de mau uso das acções sociais e da energia a elas associadas, controlado pelo habitus, pelas instituições, pela educação, etc.
Assim, e em justa medida, a violência pode ser encarada como algo bom se esta for devidamente canalizada e se as energias dispensadas na mesma servirem para proporcionar e reproduzir o bem comum na sociedade e nas suas populações e se com esta, a sociedade evoluir e se tornar mais justa e humana para todo o cidadão.
Pode-se concluir com este texto que a violência pode ser entendida e deve, como um objecto de estudo passível de ser estudado e com necessidade disso mesmo visto, esta estar presente nas sociedades e ser facto social. Esta deve ser estudada no seu todo e tendo em conta as suas várias tipificações ou dimensões.
A violência está interligada com a sociologia e só poderá ser estudada tendo em conta os seus aspectos positivos e negativos e todas as suas dimensões. Desta forma consigo idealizar um possível esquema que poderá ser útil para futuros estudos nesta área:

Violência – sociologia – serviços sociais – politicas (Estado)

Contudo, o importante não é terminar com todas as forças opostas e com as lutas por melhores condições ou para chegar a consensos (que podem levar a violência, sem que esta seja desadequada ou prejudique alguém) mas encontrar um ponto de equilíbrio para que a coesão e a vida em sociedade se desenvolva e evolua indo ao encontro do bem-comum para toda a sociedade, mesmo que agora tudo isto pareça utópico, desejavelmente é para isso que se deve trabalhar.


Margarida Piçarra Navalhinhas

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