segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Projecto de intervenção - mudanças...

Todos os projectos tem altos e baixos, fases boas de inúmeras ideias e fases más em que parece que tudo está em estagnação. Após uma fase má em que parecia que nada corria como eu tinha idealizado e em que parecia estar tudo parado, pensei e refletindo sobre conversas e leituras decidi mudar, decidi não deixar os meus objectivos e o meu tema mas mudar na associação. Os contactos com a associação que tinha escolhido não estavam a dar os frutos rápidos que desejava então, e como sou de Évora, decidi investir na minha terra, na cidade onde nasci e vivi.

Em Évora existe uma associação denominada "Pão e Paz" que oferece refeições a pessoas em situação de pobreza, exclusão e até sem-abrigos. Esta associação está aliada a uma Fundação, a Fundação Terra Mãe contudo tem passado por inúmeras dificuldades especialmente monetárias.
Assim, e estando ainda numa fase inicial das suas respostas sociais, parece-me ser o local indicado para tentar combater esta questão da exclusão associando-a à pobreza e à fome.
Posto isto, a ideia concreta será visitar a associação, falar com a coordenadora, tentar entender problemas, fragilidades, oportunidades, ameaças, quais as respostas sociais que dão, quem ajudam e o porquê da associação. Tudo isto será feito em principio, durante esta semana aquando o meu regresso a Évora esta semana.
Em termos de projecto de intervenção e, visto a associação estar mais focada na alimentação de pessoas em situação de exclusão ou pobreza, pensei em, e para dar resposta às questões da fome, pobreza e exclusão, criar uma "Cozinha Social". Esta teria uma parte lucrativa para tornar a mesma sustentável (em que os fundos reverteriam para a associação) e uma parte educativa/formativa e ocupacional para as pessoas a quem a associação presta auxílio.
 
Tudo isto necessitaria de uma equipa formadora e de outra técnica. Na formadora teríamos um pasteleiro que ensinaria às pessoas (sem-abrigo ou em exclusão) como cozinhar e as poria a cozinhar nessa cozinha (que teria de ter um fogão para três pessoas por exemplo) e monitores que ajudariam na parte técnica e de integração na equipa dessas pessoas que iriam cozinhar .
Na equipa técnica teríamos uma socióloga que trataria de todas as questões de evolução do projecto e das outras questões de alojamento e emprego para que a evolução do público-alvo do projecto continuasse de forma  às incluir na sociedade em conjunto com uma assistente social e uma psicóloga.
Tudo isto necessitaria de fundos, para isso teríamos primeiro de investir com a ajuda dos jornais locais e das igrejas, fazendo peditórios mas também com a ajuda de fundações e de associações de solidariedade social que existam na região.
Depois deste investimento era necessário construir por detrás do sitio onde se encontra a associação a cozinha social e um salão de chá para o qual as pessoas (que a associação ajuda) trabalhariam, a ideia seria, duas horas para trabalharem no seu almoço ou jantar que seria gratuito e feito na cozinha social e depois o resto das horas de trabalho seria para cozinharem, com a ajuda da equipa formadora, para o salão de chá que serviria para toda a comunidade de Évora e que seria servido por estas pessoas de forma a integrá-las na comunidade e a educá-las não só a cozinharem com o que tem mas também a gastar o que tem e a saber viver com o que tem ( um grupo iria às compras com um orçamento e um monitor, outro faria bolos, outro sopas para todos, etc).
 
Enquanto tudo isto se passava, a equipa técnica trataria de construir uma base de dados das pessoas que associação ajuda integrando-as em grupos de trabalho (sem-abrigo, pessoas em situação de pobreza, pessoas desempregadas, etc) de forma a, e a partir de entrevistas com os candidatos encontrar o "melhor caminho" para os integrar de novo na sociedade (arranjando casa, emprego, etc).
 
Relativamente aos alimentos para tudo isto, teríamos de contactar a Associação Comercial da Agricultura apelando à responsabilidade social das empresas de forma a que nos dessem alguns vegetais que serviriam para as pessoas a quem a associação ajuda cozinharem a sua comida que depois levariam para eles mesmos e para as suas famílias. Poderíamos também pedir a cafés ou supermercados da zona que nos dessem sobras que dessem para eles cozinharem ou até mesmo fazer um contrato de responsabilidade social com eles.
 Quanto aos alimentos para o salão de chá, estes seriam comprados com o dinheiro da venda do mesmo e o resto do dinheiro seria para a associação deliberar tendo em conta as necessidades dos seus beneficiários.
Este projecto parece-me puder ser viável e pertinente de ser realizado, pois além de ter uma parte rentável, a cidade de Évora é uma cidade muito centrada nos Serviços e na Restauração e estas pessoas ficariam com a possibilidade de experiência nesta área alem de que, se no futuro corresse tudo bem e houvesse lucros e as pessoas estivessem formadas e educadas no sentido de poupar e rentabilizar até poderiam receber com o seu trabalho ali, mas isso seria visto no futuro. Até lá, o corpo técnico e formador teriam um papel muito importante na ajuda da construção de um futuro mais integrador e "risonho" para estas pessoas que tanto necessitam de ajuda.
Em termos de enquadramento teórico, iria deter-me em 4 pontos chave: a exclusão social, o paradigma da fome no mundo, as respostas sociais (nas quais INOVAR é necessário) e na questão da globalização (pois já existem muitas zonas do globo onde a cozinha social já está a ser realizada) para entender o que se pode aprender com outros países.
Por fim, penso que este projecto tem tudo a ver com a cadeira onde se insere, Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos. Projectos como a "cozinha social" já existem em inúmeros paises do globo tais como Brasil e até mesmo em Portugal, contudo em formatos diferentes daqueles que eu estou a querer projectar com este projecto, depois a questão da Justiça Social, será justo este problema da exclusão não ser resolvido e pessoas viverem no limiar da pobreza, com fome e sem casa em pleno século XXI, em plena Era moderna de desenvolvimento? Será que é licito viver com fome? E sem emprego? E sem casa? Etc e etc.
Relativamente aos Direitos Humanos, uma das necessidades básicas é a alimentação, ela será das primeiras que tem de ser resolvida para estas pessoas em situação de exclusão ou de pobreza e também será das necessidades que, não estando resolvida poderá exclui-las cada vez mais. Para demonstrar a pertinência do estudo em relação a esta questão da cadeira que são os Direitos Humanos, apresento uma citação retirada da Declaração Universal dos Direitos Humanos - Artigo 25, que tive oportunidade de ler num trabalho que consultei online:
“ Toda pessoa tem direito a um nível de vida adequada, que lhe assegure, assim como à sua família, a saúde e o bem-estar,e, de modo especial a alimentação, o vestuário, a habitação, a assistência médica e os serviços sociais necessários”. (Declaração Universal dos Direitos Humanos – Artigo 25).
Para concluir, não mudei o tema nem os objectivos do projecto, simplesmente o adequei às necessidades temporais que tenho para o concluir e ás necessidades que sei existirem na zona onde vivo e á maior facilidade em contactar com as associações desta zona que conheço e onde sempre vivi.
Espero brevemente ter mais noticias e se houver alguém interessado em sugerir algo é só escrever :)


Margarida Piçarra Navalhinhas

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