Esta semana centrei-me essencialmente em entender e pesquisar o que já foi feito em termos de
projectos na área em que quero desenvolver o meu, mas também a planificar aquilo que tenho e quero fazer
com este projecto de intervenção.
Na Licenciatura e talvez até em anos de formação
anteriores, fui-me habituando a planificar e esquematizar aquilo que tenho e
quero trabalhar, assim no post acima referido já vos fui mostrando qual o
primeiro esquema de trabalho e de ideias. Contudo, aquele é apenas uma espécie
de brainstorming do projecto, agora e pensando mais em detalhe num índice do
trabalho, idealizei uma serie de etapas que penso serem essenciais para definir
prioridades e iniciar o projecto mais a fundo.
Apresento assim o seguinte índice de trabalho, todavia
é importante acrescentar que a visita à associação CAIS, infelizmente, ainda
não foi realizada por diversas razões, mas está em andamento o processo e o
mais breve possível sei que terei noticias sobre a mesma e que com isso será
mais fácil ter ideias concretas pois é importante não esquecer que, apesar de a
teoria neste e noutros projectos ser muito importante enquanto fundamento teórico,
a prática, as questões de intervenção no terreno e até de confronto com a
realidade são importantíssimas pois, para mim, é a partir deste confronto que
as coisas poderão alterar e mudar para melhor. Isto porque, e na minha opinião,
uma das funções principais da sociologia é ajudar na melhoria da sociedade de
modo ao bem-estar comum das suas populações pois é delas que é composta a
sociedade.
Assim, aqui temos o primeiro índice do projecto:
1º Objectivos do projecto
2º Exposição das ideias principais e linhas
orientadoras do projecto bem como do público-alvo
3º Pertinência do projecto e sua importância para a
comunidade e para o público-alvo
4º Definição de sem-abrigo ou de individuo em
situação de exclusão social (que neste caso serão o público-alvo) de modo a que
seja perceptivel e aceite pelo maior numero de investigadores
5º Fundamentos teóricos e estudos já elaborados na
área
6º Actividades e aplicação prática do projecto
7º Parceiros e Apoios a que se teria de recorrer
8º Orçamento
9º Cronograma
10º Conclusões
A ordem e até mesmo os passos do projecto poderão
ser alterados e peço mais uma vez, se alguém tiver algo que acha relevante ou
até mesmo salutar para dizer que possa ajudar nesta etapa em que estou, aceito
sugestões.
Agora e como já tinha referido atrás, esta semana
também tentei entender o que já havia de projectos
na área, sem dúvida que poderão haver inúmeros, todavia comecei por ler um
livro acerca do II Seminário sobre "A Pobreza -
Mudança/Desenvolvimento" (1992) do Comissariado Regional do Sul da Luta
contra a Pobreza.
Neste livro aparece descrito um seminário acerca das
questões da pobreza e sua mudança e desenvolvimento. Encontrei neste mesmo
livro um projecto para os sem-abrigo desenvolvido pelo Instituto Particular de
Solidariedade Social "Comunidade Vida e Paz" durante 4 anos
(1992/1995). O que é interessante de analisar neste projecto é que, apesar dos
anos que já se passaram, as ideias e a missão base do projecto continua atual.
Por exemplo, continua a ser actual a urgência de criar espaços de socialização,
tais como proporcionar alojamento, alimentação, cuidados de higiene e saúde e espaços
de integração sócio-profissional, tais como proporcionar formação humana,
social e profissional, tudo isto visando a inserção social, tal como é referido
no projecto da IPSS. É actual também a questão do voluntariado e do
envolvimento dos voluntários com o público-alvo e a formação dos próprios
voluntários para as tarefas que irão desempenhar. Sendo também referido no
projecto que li que estas acções com voluntários sendo nas ruas a ajudar quer
de noite quer de dia com a alimentação e apoio personalizado e individual aos
sem-abrigo, quer em encontros de convívio mensais, tem tido uma componente
muito positiva juntos dos sem-abrigo, tendo alguns deles assumido uma atitude
frente à vida, tal como é referido no projecto da "comunidade vida e
paz". O que também me parece interessante referir são as infra-estruturas
habitacionais que foram construídas como por exemplo, uma pequena quinta nos
arredores de Lisboa que aufere de habitação onde é possivel acolher,
alfabetizar e formar profissionalmente jovens e adultos "sem-abrigo",
com objectivo de os integrar socialmente. Em Fátima, estava também em
construção, em terreno oferecido, um equipamento para reinserção social de
jovens. É claro que, e é importante de referir, existia uma verba para este
projecto, inovador e ambicioso, do Comissariado Regional do Sul da Luta contra
a Pobreza.
Apesar da duração deste projecto já ter terminado (92/95), parece-me que continuam actuais as preocupações e aspirações nele contempladas e que este tipo de projectos podem ser uma forte ajuda para a construção do meu próprio projecto de intervenção, pois é baseando-me e aprofundando outras ideias já realizadas ou idealizadas somente, que me será possível construir este projecto, na minha opinião. Além do mais podemos sempre aprender com os outros e aproveitar o que já foi ou podia ter sido uma boa ideia para construir um futuro melhor para todos, que me parece ser a missão fundamental deste projecto que foi lido no livro e do meu próprio projecto.
Em suma, achei um projecto e uma ideia muito interessante aquela desta IPSS e, adaptando sempre ao contexto e época em que vivemos, parece-me que se poderão aproveitar algumas ideias e actividades para tornar a sociedade e a inserção dos "sem-abrigo" na sociedade ou das pessoas em exclusão social, uma questão mais fácil de se ir resolvendo e desenvolvendo de forma sempre a proporcionar o bem-estar de toda a população.
Margarida Piçarra
Navalhinhas

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