quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Projecto de Intervenção - Parte II

Esta semana centrei-me essencialmente em entender e pesquisar o que já foi feito em termos de projectos na área em que quero desenvolver o meu, mas também a planificar aquilo que tenho e quero fazer com este projecto de intervenção.


Na Licenciatura e talvez até em anos de formação anteriores, fui-me habituando a planificar e esquematizar aquilo que tenho e quero trabalhar, assim no post acima referido já vos fui mostrando qual o primeiro esquema de trabalho e de ideias. Contudo, aquele é apenas uma espécie de brainstorming do projecto, agora e pensando mais em detalhe num índice do trabalho, idealizei uma serie de etapas que penso serem essenciais para definir prioridades e iniciar o projecto mais a fundo.

Apresento assim o seguinte índice de trabalho, todavia é importante acrescentar que a visita à associação CAIS, infelizmente, ainda não foi realizada por diversas razões, mas está em andamento o processo e o mais breve possível sei que terei noticias sobre a mesma e que com isso será mais fácil ter ideias concretas pois é importante não esquecer que, apesar de a teoria neste e noutros projectos ser muito importante enquanto fundamento teórico, a prática, as questões de intervenção no terreno e até de confronto com a realidade são importantíssimas pois, para mim, é a partir deste confronto que as coisas poderão alterar e mudar para melhor. Isto porque, e na minha opinião, uma das funções principais da sociologia é ajudar na melhoria da sociedade de modo ao bem-estar comum das suas populações pois é delas que é composta a sociedade.

Assim, aqui temos o primeiro índice do projecto:
1º Objectivos do projecto
2º Exposição das ideias principais e linhas orientadoras do projecto bem como do público-alvo
3º Pertinência do projecto e sua importância para a comunidade e para o público-alvo
4º Definição de sem-abrigo ou de individuo em situação de exclusão social (que neste caso serão o público-alvo) de modo a que seja perceptivel e aceite pelo maior numero de investigadores
5º Fundamentos teóricos e estudos já elaborados na área
6º Actividades e aplicação prática do projecto
7º Parceiros e Apoios a que se teria de recorrer
8º Orçamento
9º Cronograma
10º Conclusões

A ordem e até mesmo os passos do projecto poderão ser alterados e peço mais uma vez, se alguém tiver algo que acha relevante ou até mesmo salutar para dizer que possa ajudar nesta etapa em que estou, aceito sugestões.


Agora e como já tinha referido atrás, esta semana também tentei entender o que já havia de projectos na área, sem dúvida que poderão haver inúmeros, todavia comecei por ler um livro acerca do II Seminário sobre "A Pobreza - Mudança/Desenvolvimento" (1992) do Comissariado Regional do Sul da Luta contra a Pobreza. 
Neste livro aparece descrito um seminário acerca das questões da pobreza e sua mudança e desenvolvimento. Encontrei neste mesmo livro um projecto para os sem-abrigo desenvolvido pelo Instituto Particular de Solidariedade Social "Comunidade Vida e Paz" durante 4 anos (1992/1995). O que é interessante de analisar neste projecto é que, apesar dos anos que já se passaram, as ideias e a missão base do projecto continua atual. Por exemplo, continua a ser actual a urgência de criar espaços de socialização, tais como proporcionar alojamento, alimentação, cuidados de higiene e saúde e espaços de integração sócio-profissional, tais como proporcionar formação humana, social e profissional, tudo isto visando a inserção social, tal como é referido no projecto da IPSS. É actual também a questão do voluntariado e do envolvimento dos voluntários com o público-alvo e a formação dos próprios voluntários para as tarefas que irão desempenhar. Sendo também referido no projecto que li que estas acções com voluntários sendo nas ruas a ajudar quer de noite quer de dia com a alimentação e apoio personalizado e individual aos sem-abrigo, quer em encontros de convívio mensais, tem tido uma componente muito positiva juntos dos sem-abrigo, tendo alguns deles assumido uma atitude frente à vida, tal como é referido no projecto da "comunidade vida e paz". O que também me parece interessante referir são as infra-estruturas habitacionais que foram construídas como por exemplo, uma pequena quinta nos arredores de Lisboa que aufere de habitação onde é possivel acolher, alfabetizar e formar profissionalmente jovens e adultos "sem-abrigo", com objectivo de os integrar socialmente. Em Fátima, estava também em construção, em terreno oferecido, um equipamento para reinserção social de jovens. É claro que, e é importante de referir, existia uma verba para este projecto, inovador e ambicioso, do Comissariado Regional do Sul da Luta contra a Pobreza.

Apesar da duração deste projecto já ter terminado (92/95), parece-me que continuam actuais as preocupações e aspirações nele contempladas e que este tipo de projectos podem ser uma forte ajuda para a construção do meu próprio projecto de intervenção, pois é baseando-me e aprofundando outras ideias já realizadas ou idealizadas somente, que me será possível construir este projecto, na minha opinião. Além do mais podemos sempre aprender com os outros e aproveitar o que já foi ou podia ter sido uma boa ideia para construir um futuro melhor para todos, que me parece ser a missão fundamental deste projecto que foi lido no livro e do meu próprio projecto.

Em suma, achei um projecto e uma ideia muito interessante aquela desta IPSS e, adaptando sempre ao contexto e época em que vivemos, parece-me que se poderão aproveitar algumas ideias e actividades para tornar a sociedade e a inserção dos "sem-abrigo" na sociedade ou das pessoas em exclusão social, uma questão mais fácil de se ir resolvendo e desenvolvendo de forma sempre a proporcionar o bem-estar de toda a população.













Margarida Piçarra Navalhinhas

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