Integrado na cadeira de Globalização, Justiça Social
e Direitos Humanos, e visto enquanto
método de avaliação, mas sobretudo como método de aprendizagem, foi-nos
proposto realizar um projeto de intervenção que fosse útil para a associação em
causa, no meu caso a associação CAIS.
De acordo com informação presente no site da
associação, a mesma tem como missão contribuir para o melhoramento global das
condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis,
em situação de privação, exclusão e risco. Fundada em 1994 o primeiro e grande
projeto da CAIS foi a criação e venda de uma revista com o nome da associação,
vendida nas ruas por pessoas sem-abrigo ou em situações de privação ou
exclusão. Em 2003, a CAIS criou o seu centro expandindo assim a sua actuação.
Temas como a pobreza, exclusão e inclusão social e
Justiça social, foram desde sempre áreas de estudo que particularmente me
interessaram e interessam.
Assim, esta semana centrei-me na temática da
exclusão. Para isso, li uma parte do livro bastante conhecido de Giddens
(2001), Sociologia publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Para iniciar
esta temática pareceu-me o livro mais adequado, assim e de acordo com Giddens,
tentei encontrar:
- uma definição de exclusão social,
- relacionar esta temática com a pobreza,
- tentar compreender o porque da exclusão social e
- relacionar exclusão social com as pessoas sem-abrigo (visto ser
essencialmente sobre essas que o meu projeto incidirá).
Começando pelo primeiro ponto, Exclusão social, segundo Giddens, primeiramente este tema foi introduzido pelos
sociólogos para se referirem a novas fontes de desigualdade. Assim, entende-se
por exclusão as formas pelas quais os indivíduos podem ser afastados do pleno
envolvimento na sociedade.
A questão de exclusão
social é também uma questão diferente da de pobreza em si. A exclusão digamos que foca a sua atenção num
conjunto mais amplos e fatores que impedem que os indivíduos ou grupos tenham
as mesmas oportunidades que a população tem.
A exclusão pode ser vista em vários níveis, ao nível económico,
ao nível politico, ou ao nível social.
Contudo, o conceito de exclusão levanta ainda uma
questão, a da ação. Pois, exclusão implica sempre que alguém ou alguma coisa
esteja a ser afastada de outra.
Relativamente ao porque
da exclusão social e segundo Giddens, existem duas hipóteses de resposta. A
primeira é que, existem realmente instâncias em que os individuos são excluídos
de acordo com decisões tomadas fora do seu próprio controlo, como um empregado de
certa idade, dispensado a quem podem recusar dar de novo emprego devido à sua
idade, etc. Outra hipótese é as pessoas que se "auto-excluem", se é
que posso dize-lo assim, de aspectos centrais da sociedade, por exemplo: um
individuo optar por desistir dos estudos, abster-se de votar, etc.
Assim, ao estudarmos este tema da exclusão social devemos
ter em atenção a relação entre acção e responsabilidade humana e, por outro
lado, no papel das forças sociais na construção das situações em que as pessoas
se encontram.
Para terminar, decidi optar por entender qual é então
a relação entre exclusão social e os
sem-abrigo, assim e mais uma vez de acordo com Giddens, os sem-abrigo são
pessoas que não tem, por variadissimas razões, algum tipo de casa ou abrigo
permanente. A falta de lugar de residência permanente é uma das formas mais
extremas de exclusão social. As pessoas sem residência permanente podem ser
afastadas de muitas actividades diárias, ir para o trabalho, receber cartas
pelo correio, ir ao banco, etc. Tudo isto exclui a pessoa da vida quotidiana
natural em todas as sociedades e até da própria população aí residente.
Aquilo que leva as pessoas a verem-se numa situação
de exclusão e em casos mais extremos, de sem-abrigo, são vários factores como
aliás já reflectimos. Contudo, o que me parece mais relevante estudar é a
maneira de, os que querem claro, se inserirem de novo na sociedade e se
voltarem a "incluir" como cidadãos de uma sociedade e enquanto
pessoas activas e socialmente integradas.
Não existe ainda um consenso sobre como ajudar estas
pessoas a sairem das ruas para um alojamento permanente e a ter uma vida mais
estável. Contudo, e embora esta não seja a decisão final, a maioria dos
sociólogos que estudou o problema concorda que o fornecimento de habitações em
condições é um aspecto importante para acabar com os sem-abrigo.
Para terminar, concluo com uma citação de Christopher
Jenks presente no seu livro The Homeless (1994) e citada em Giddens (2001):
" independentemente das
razões pelas quais as pessoas vivem na rua, dar-lhes um lugar para morar que
ofereça um mínimo de privacidade e estabilidade é geralmente a coisa mais
importante que se pode fazer para melhorar as suas vidas. Sem habitações
estáveis, nada mais resultará."
É claro, que esta temática não é consensual e que
esta é apenas uma opinião que mesmo sendo, mais ou menos consensual, ainda é
alvo de criticas. Pode ser também particularmente importante para contribuir
para a melhoria de vida destas pessoas, oferecer mais ajudas, quer ao nivel
social quer ao nivel psicologico e ate de formação tendo sempre em vista a
melhoria da auto-estima destas pessoas e apostar que elas também podem fazer e
ser mais e melhor. Tudo isto neste momento parece irreal contudo, com as ajudas
certas e uma aposta nas pessoas poderá quem sabe, vir a tornar-se bastante
rentável e melhor para todos.
Assim,
esta semana detive-me essencialmente em criar as bases teóricas e
conceptuais para este projecto de intervenção, ainda muito no começo achei que
deveria começar a enquadrar teoricamente as primeiras ideias, não significa que
não se alterem poi não são estanques, contudo achei que seria um bom ponto de
partida começar por ler o que di Giddens sobre este tema.
Para terminar, gostaria agora de explicar aquilo que pensei
fazer e aquilo que gostaria de estudar e ajudar a melhorar com o projecto em
causa, para isso construi o seguinte esquema:
Neste momento, e em primeira
análise, é esta a ideia de projecto que tenho, ainda não está concreta contudo
se alguém quiser ajudar ou dar opiniões que possam ser úteis aceitam-se
opiniões.
Margarida Piçarra Navalhinhas
