quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Projecto de intervenção - Parte I

                   Integrado na cadeira de Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos,  e visto enquanto método de avaliação, mas sobretudo como método de aprendizagem, foi-nos proposto realizar um projeto de intervenção que fosse útil para a associação em causa, no meu caso a associação CAIS.

                De acordo com informação presente no site da associação, a mesma tem como missão contribuir para o melhoramento global das condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco. Fundada em 1994 o primeiro e grande projeto da CAIS foi a criação e venda de uma revista com o nome da associação, vendida nas ruas por pessoas sem-abrigo ou em situações de privação ou exclusão. Em 2003, a CAIS criou o seu centro expandindo assim a sua actuação.

                Temas como a pobreza, exclusão e inclusão social e Justiça social, foram desde sempre áreas de estudo que particularmente me interessaram e interessam.
                Assim, esta semana centrei-me na temática da exclusão. Para isso, li uma parte do livro bastante conhecido de Giddens (2001), Sociologia publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Para iniciar esta temática pareceu-me o livro mais adequado, assim e de acordo com Giddens, tentei encontrar:
- uma definição de exclusão social,
- relacionar esta temática com a pobreza,
- tentar compreender o porque da exclusão social e
- relacionar exclusão social com as pessoas sem-abrigo (visto ser essencialmente sobre essas que o meu projeto incidirá).

                Começando pelo primeiro ponto, Exclusão social, segundo Giddens,  primeiramente este tema foi introduzido pelos sociólogos para se referirem a novas fontes de desigualdade. Assim, entende-se por exclusão as formas pelas quais os indivíduos podem ser afastados do pleno envolvimento na sociedade.
                A questão de exclusão social é também uma questão diferente da de pobreza em si. A exclusão digamos que foca a sua atenção num conjunto mais amplos e fatores que impedem que os indivíduos ou grupos tenham as mesmas oportunidades que a população tem.
                A exclusão pode ser vista em vários níveis, ao nível económico, ao nível politico, ou ao nível social.
                Contudo, o conceito de exclusão levanta ainda uma questão, a da ação. Pois, exclusão implica sempre que alguém ou alguma coisa esteja a ser afastada de outra.
                Relativamente ao porque da exclusão social e segundo Giddens, existem duas hipóteses de resposta. A primeira é que, existem realmente instâncias em que os individuos são excluídos de acordo com decisões tomadas fora do seu próprio controlo, como um empregado de certa idade, dispensado a quem podem recusar dar de novo emprego devido à sua idade, etc. Outra hipótese é as pessoas que se "auto-excluem", se é que posso dize-lo assim, de aspectos centrais da sociedade, por exemplo: um individuo optar por desistir dos estudos, abster-se de votar, etc.
                Assim, ao estudarmos este tema da exclusão social devemos ter em atenção a relação entre acção e responsabilidade humana e, por outro lado, no papel das forças sociais na construção das situações em que as pessoas se encontram.
                Para terminar, decidi optar por entender qual é então a relação entre exclusão social e os sem-abrigo, assim e mais uma vez de acordo com Giddens, os sem-abrigo são pessoas que não tem, por variadissimas razões, algum tipo de casa ou abrigo permanente. A falta de lugar de residência permanente é uma das formas mais extremas de exclusão social. As pessoas sem residência permanente podem ser afastadas de muitas actividades diárias, ir para o trabalho, receber cartas pelo correio, ir ao banco, etc. Tudo isto exclui a pessoa da vida quotidiana natural em todas as sociedades e até da própria população aí residente.
                Aquilo que leva as pessoas a verem-se numa situação de exclusão e em casos mais extremos, de sem-abrigo, são vários factores como aliás já reflectimos. Contudo, o que me parece mais relevante estudar é a maneira de, os que querem claro, se inserirem de novo na sociedade e se voltarem a "incluir" como cidadãos de uma sociedade e enquanto pessoas activas e socialmente integradas.
                Não existe ainda um consenso sobre como ajudar estas pessoas a sairem das ruas para um alojamento permanente e a ter uma vida mais estável. Contudo, e embora esta não seja a decisão final, a maioria dos sociólogos que estudou o problema concorda que o fornecimento de habitações em condições é um aspecto importante para acabar com os sem-abrigo.
                Para terminar, concluo com uma citação de Christopher Jenks presente no seu livro The Homeless (1994) e citada em Giddens (2001):
" independentemente das razões pelas quais as pessoas vivem na rua, dar-lhes um lugar para morar que ofereça um mínimo de privacidade e estabilidade é geralmente a coisa mais importante que se pode fazer para melhorar as suas vidas. Sem habitações estáveis, nada mais resultará."
                É claro, que esta temática não é consensual e que esta é apenas uma opinião que mesmo sendo, mais ou menos consensual, ainda é alvo de criticas. Pode ser também particularmente importante para contribuir para a melhoria de vida destas pessoas, oferecer mais ajudas, quer ao nivel social quer ao nivel psicologico e ate de formação tendo sempre em vista a melhoria da auto-estima destas pessoas e apostar que elas também podem fazer e ser mais e melhor. Tudo isto neste momento parece irreal contudo, com as ajudas certas e uma aposta nas pessoas poderá quem sabe, vir a tornar-se bastante rentável e melhor para todos.

                Assim, esta semana detive-me essencialmente em criar as bases teóricas e conceptuais para este projecto de intervenção, ainda muito no começo achei que deveria começar a enquadrar teoricamente as primeiras ideias, não significa que não se alterem poi não são estanques, contudo achei que seria um bom ponto de partida começar por ler o que di Giddens sobre este tema.
                Para terminar, gostaria agora de explicar aquilo que pensei fazer e aquilo que gostaria de estudar e ajudar a melhorar com o projecto em causa, para isso construi o seguinte esquema:

Neste momento, e em primeira análise, é esta a ideia de projecto que tenho, ainda não está concreta contudo se alguém quiser ajudar ou dar opiniões que possam ser úteis aceitam-se opiniões.

          Margarida Piçarra Navalhinhas




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Violence - initial questions

                       During this week I had the opportunity to read and analyze a text entitled "Violence and its sociological critique."

                Inserted in the theme of Globalization, Social Justice and Human Rights, the text is essentially looking at violence in a scientific manner.
                According to the author, violence exists, it is present in societies and should be studied so that it does not become excessive or inappropriate. We should study it as a whole  , without underestimating any part of it and this in itself reminds us of Durkheim and the study of social facts because it advocated the study of social phenomena as a whole. Violence as social fact , that it is, should thus be understood as a whole, because ignoring parts of it , we will never come to an objective  study  adequated to reality.
                Violence can then be regarded as an object of study and therefore can be classified and typified in many ways, so we have: political violence, economic, social or even cultural. The author moves in the text with empirical examples of all these kind of violence, but I will go straight to the main point that is,all types of violence are connected, related and can influence one another or even originate a new one, a new type. 
                Continuing the analysis of the text, after these introductory remarks about violence as an object of study, the author proceeds to analyze this issue sociologically.
                It starts by addressing the vision of Giddens (1985) on violence related to sociology, referring and summarizing in essence a study that itself argues that sociology has a problem of lack of adherence to social realities, which leads to replace traditional social dimensions used by sociologists (political, economic, social and cultural) to others as capitalism, industrialism, social control and militarization, however, these had no  followers, and here the author of the text proposes a name for these new categories that is, contributing to the modernization process. These contributes have associated manifested social contradictions such as labor movements and workers, peace movements and anti-war movements, environmentalists, etc..
                Studying violence through the prism of Giddens puts a question ; studying violence, or  violence processes, as something separated from everything that is, not studying violence as a whole inserted in a and in a context but apart from that, or studying violence as something inserted in a context, in a society, produced and reproduced in the same and constructor of the modern society. The latter will thus have to take into account a reorganization between various disciplines (criminology, sociology, engineering work, ...) to study violence.
                The author concludes that Giddens's view on violence is dysfunctional and demonstrates this by declaring its most obvious malfunction, the exclusion of the female world, one of the first and most important social differentiations. Giddens in his conception of violence does not understand that the evolution of society has been given, considerating the evolution of simpler societies and, by this logic the issues of women's empowerment and gender studies, among other issues that Giddens does not study, would be unsolved and  that in his theory he neglects ,which leaves several questions open, to be solved. .
                The text in question ends with an exhibition about violence in sociology by pointing out that there are parts or fractions of violence that are neglected by sociology (Giddens this view), such as violence against women, children, the elderly, and other marginalized groups of people.
                As a way of conclusion, the author develops a new concept called "states of mind" to make us see that violence can be understood as a soul, as a state of mind that incorporates suddenly, for whatever reason, a man or woman and / makes the act a certain way. According to this definition of violence, to avoid it one just needs to have self-control that can be able to resist  the entrance of this spirit.
                The classification of violence must also take into account the social values ​​of the society where it occurs so that you can understand the violence integrated into the dynamics and social processes.
                Violence can also be understood as a set of procedures particularly social and coercive energy, which if used properly may be used for useful work. Viewed this way, violence will not be a harmful thing but a constant risk of misuse of social activities and the associated energy, controlled by habitus, institutions, education, etc..
                Thus, in fair measure, violence can be seen as a good thing if it is properly channeled and dispensed in the same energies serve to provide play and the common good in society and their populations and with this, the company evolve and become more just and humane for all citizens.
                We can conclude with this text that violence can and should be understood as an object of study that can and need to be studied because violence  is present in societies and is a social fact. This should be studied as a whole, taking into account their various dimensions or classifying.
                The violence is intertwined with sociology and can only be studied in view of its positive and negative aspects and all its dimensions. This way you can devise a scheme which could be useful for future studies in this area:

Violence - sociology - social services - political (state)

                However, the important thing is not to finish with all opposing forces and the struggles for better conditions or to reach consensus (which can lead to violence, without it being inappropriate or harm someone) but to find a balance so that cohesion and social life develops and evolves by meeting the common good for society, even if all this seems utopic now, hopefully that's what  we should  work to.

Margarida Piçarra Navalhinhas

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Violência – Questões iniciais

No decorrer desta semana tive a oportunidade de ler e analisar um texto intitulado “Violência e sua crítica sociológica”.
Inserido na temática da Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos, o texto trata essencialmente de olhar a violência de forma científica.
Segundo o autor, a violência existe, está presente nas sociedades e deve ser estudada de modo a que não se torne exagerada ou desajustada. Devemos estudá-la no seu todo, sem menosprezar parte alguma, e isto por si só já nos relembra Durkheim e o estudo dos factos sociais pois, este defendia o estudo dos fenómenos sociais no seu todo. A violência, como facto social que é, deverá assim ser entendida no seu todo, pois desprezando partes dela nunca chegaremos a um estudo objectivo e ajustado à verdadeira realidade.
A violência pode então ser tratada então como um objecto de estudo e por isso, pode ser classificada e tipificada em várias formas, assim podemos ter: violência politica, económica, social ou até mesmo cultural. O autor avança no texto com exemplos empíricos de todas estas violências, contudo e para não nos alargarmos passarei ao essencial que é, todos os tipos de violência se interligam e influenciam, podendo uma dar origem a outras.
Continuando a análise do texto, depois destas notas introdutórias acerca da violência enquanto objecto de estudo, o autor passa a analisar sociologicamente esta temática.
Começa por abordar a visão de Giddens (1985) acerca da violência relacionada com a sociologia, referindo e resumindo na sua essência um estudo em que o próprio defende que a sociologia tem um problema de falta de aderência às realidades sociais, o que o leva a substituir as tradicionais dimensões sociais usadas pelos sociólogos (politico, económico, social e cultural) para outras como o capitalismo, industrialismo, o controlo social e a militarização, contudo estas não tiveram seguidores, e aqui o autor do texto propõe um nome para estas novas categorias que é contribuintes para o processo de modernização. Estes contribuintes têm associadas contradições socialmente manifestadas tais como: movimentos operários e de trabalhadores, movimentos pacifistas e contra a guerra, movimentos ecologistas, etc.
Estudar a violência pelo prisma de Giddens coloca uma questão, ou estudar a violência, ou processos de violência, como algo em separado de tudo, ou seja estudar a violência não como um todo inserido numa sociedade e num contexto mas em separado disso; ou estudar a violência como algo inserido num contexto, numa sociedade, produzido e reproduzido na mesma e construtor da sociedade moderna. Esta última hipótese terá assim de ter em conta uma reorganização entre várias áreas disciplinares (criminologia, sociologia, engenharia do trabalho,…) para estudar a violência.
O autor conclui que a visão de Giddens acerca da violência é disfuncional e demonstra isso declarando o seu mais evidente disfuncionamento, a exclusão do mundo feminino, uma das primeira e mais importantes diferenciações sociais. Giddens na sua concepção de violência não entende que a evolução da sociedade se deu tendo em conta a evolução de sociedades mais simples e, nesta lógica ficariam por resolver as questões de emancipação das mulheres e estudos de género, entre outras questões que Giddens não aborda e que na sua teoria acaba por negligenciar deixando em aberto várias questões.
O texto em análise termina com uma exposição acerca da violência na sociologia chamando a atenção que, existem partes ou fracções da violência que são negligenciadas pela sociologia (nesta visão de Giddens), como a violência contra as mulheres, as crianças, os idosos, e outros grupos humanos marginalizados.
Como forma de término, o autor desenvolve um conceito novo denominado “estados de espirito” para nos fazer ver que a violência pode ser entendida como uma alma, como um estado de espírito que de repente incorpora, por qualquer razão, num homem ou mulher e o/a faz agir de determinada maneira. De acordo com esta definição de violência, para a evitar basta ter um auto-controlo capaz de resistir à entrada desse espirito.
A classificação da violência deve ainda ter em conta a moral social da sociedade onde ocorre de modo a que seja possível entender a violência integrada nas dinâmicas e processos sociais.
A violência pode ainda ser entendida como um conjunto de procedimentos sociais particularmente energéticos e coercivos, que se forem utilizados de forma adequada poderão ser usados para trabalho útil. Vista desta forma, a violência não será uma coisa danosa mas sim um risco constante de mau uso das acções sociais e da energia a elas associadas, controlado pelo habitus, pelas instituições, pela educação, etc.
Assim, e em justa medida, a violência pode ser encarada como algo bom se esta for devidamente canalizada e se as energias dispensadas na mesma servirem para proporcionar e reproduzir o bem comum na sociedade e nas suas populações e se com esta, a sociedade evoluir e se tornar mais justa e humana para todo o cidadão.
Pode-se concluir com este texto que a violência pode ser entendida e deve, como um objecto de estudo passível de ser estudado e com necessidade disso mesmo visto, esta estar presente nas sociedades e ser facto social. Esta deve ser estudada no seu todo e tendo em conta as suas várias tipificações ou dimensões.
A violência está interligada com a sociologia e só poderá ser estudada tendo em conta os seus aspectos positivos e negativos e todas as suas dimensões. Desta forma consigo idealizar um possível esquema que poderá ser útil para futuros estudos nesta área:

Violência – sociologia – serviços sociais – politicas (Estado)

Contudo, o importante não é terminar com todas as forças opostas e com as lutas por melhores condições ou para chegar a consensos (que podem levar a violência, sem que esta seja desadequada ou prejudique alguém) mas encontrar um ponto de equilíbrio para que a coesão e a vida em sociedade se desenvolva e evolua indo ao encontro do bem-comum para toda a sociedade, mesmo que agora tudo isto pareça utópico, desejavelmente é para isso que se deve trabalhar.


Margarida Piçarra Navalhinhas

Good afternoon!


This blog is created during my MA in Sociology at ISCTE and more specifically inserted into the course Globalization, Social Justice and Human Rights.
The title of the blog relates to the issue of social exclusion and the "life on the fringe" that so many people take, for a few reasons, others for others, and all that relates to Globalization, Social Justice and Rights human.
Here publish texts, comments to them and everything that seems relevant to me and dealing with issues related to Globalization, Social Justice and Human Rights and also Sociology of Violence.

See you soon!

sábado, 22 de setembro de 2012

Boa tarde!
Este blog é criado no decorrer do meu mestrado em Sociologia no ISCTE e mais especificamente inserido na cadeira de Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos.
O titulo do blog relaciona-se com a temática da exclusão social e com a"vida à margem" que tantas pessoas levam, uns por uns motivos, outros por outros, e tudo o que isso se relaciona com a Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos.
Aqui publicarei textos, comentários aos mesmos e tudo aquilo que me pareça relevante e que trate de temas relacionados com Globalização, Justiça Social e Direitos Humanos e tambem Sociologia da Violência.

Até breve!