Todos os projectos tem altos e
baixos, fases boas de inúmeras ideias e fases más em que parece que tudo está
em estagnação. Após uma fase má em que parecia que nada corria como eu tinha
idealizado e em que parecia estar tudo parado, pensei e refletindo sobre
conversas e leituras decidi mudar, decidi não deixar os meus objectivos e o meu
tema mas mudar na associação. Os contactos com a associação que tinha escolhido
não estavam a dar os frutos rápidos que desejava então, e como sou de Évora,
decidi investir na minha terra, na cidade onde nasci e vivi.
Em Évora existe uma associação
denominada "Pão e Paz" que oferece refeições a pessoas em situação de
pobreza, exclusão e até sem-abrigos. Esta associação está aliada a uma Fundação,
a Fundação Terra Mãe contudo tem passado por inúmeras dificuldades especialmente
monetárias.
Assim, e estando ainda numa fase
inicial das suas respostas sociais, parece-me ser o local indicado para tentar
combater esta questão da exclusão associando-a à pobreza e à fome.
Posto isto, a ideia concreta será
visitar a associação, falar com a coordenadora, tentar entender problemas,
fragilidades, oportunidades, ameaças, quais as respostas sociais que dão, quem
ajudam e o porquê da associação. Tudo isto será feito em principio, durante
esta semana aquando o meu regresso a Évora esta semana.
Em termos de projecto de
intervenção e, visto a associação estar mais focada na alimentação de pessoas
em situação de exclusão ou pobreza, pensei em, e para dar resposta às questões
da fome, pobreza e exclusão, criar uma "Cozinha Social". Esta teria
uma parte lucrativa para tornar a mesma sustentável (em que os fundos
reverteriam para a associação) e uma parte educativa/formativa e ocupacional
para as pessoas a quem a associação presta auxílio.
Tudo isto necessitaria de uma
equipa formadora e de outra técnica. Na formadora teríamos um pasteleiro que
ensinaria às pessoas (sem-abrigo ou em exclusão) como cozinhar e as poria a
cozinhar nessa cozinha (que teria de ter um fogão para três pessoas por
exemplo) e monitores que ajudariam na parte técnica e de integração na equipa
dessas pessoas que iriam cozinhar .
Na equipa técnica teríamos uma
socióloga que trataria de todas as questões de evolução do projecto e das
outras questões de alojamento e emprego para que a evolução do público-alvo do
projecto continuasse de forma às incluir
na sociedade em conjunto com uma assistente social e uma psicóloga.
Tudo isto necessitaria de fundos,
para isso teríamos primeiro de investir com a ajuda dos jornais locais e das
igrejas, fazendo peditórios mas também com a ajuda de fundações e de
associações de solidariedade social que existam na região.
Depois deste investimento era
necessário construir por detrás do sitio onde se encontra a associação a
cozinha social e um salão de chá para o qual as pessoas (que a associação
ajuda) trabalhariam, a ideia seria, duas horas para trabalharem no seu almoço
ou jantar que seria gratuito e feito na cozinha social e depois o resto das
horas de trabalho seria para cozinharem, com a ajuda da equipa formadora, para
o salão de chá que serviria para toda a comunidade de Évora e que seria servido
por estas pessoas de forma a integrá-las na comunidade e a educá-las não só a
cozinharem com o que tem mas também a gastar o que tem e a saber viver com o
que tem ( um grupo iria às compras com um orçamento e um monitor, outro faria
bolos, outro sopas para todos, etc).
Enquanto tudo isto se passava, a
equipa técnica trataria de construir uma base de dados das pessoas que associação
ajuda integrando-as em grupos de trabalho (sem-abrigo, pessoas em situação de
pobreza, pessoas desempregadas, etc) de forma a, e a partir de entrevistas com
os candidatos encontrar o "melhor caminho" para os integrar de novo
na sociedade (arranjando casa, emprego, etc).
Relativamente aos alimentos para
tudo isto, teríamos de contactar a Associação Comercial da Agricultura apelando
à responsabilidade social das empresas de forma a que nos dessem alguns
vegetais que serviriam para as pessoas a quem a associação ajuda cozinharem a
sua comida que depois levariam para eles mesmos e para as suas famílias. Poderíamos
também pedir a cafés ou supermercados da zona que nos dessem sobras que dessem
para eles cozinharem ou até mesmo fazer um contrato de responsabilidade social
com eles.
Quanto aos alimentos para o salão
de chá, estes seriam comprados com o dinheiro da venda do mesmo e o resto do
dinheiro seria para a associação deliberar tendo em conta as necessidades dos
seus beneficiários.
Este projecto parece-me puder ser
viável e pertinente de ser realizado, pois além de ter uma parte rentável, a
cidade de Évora é uma cidade muito centrada nos Serviços e na Restauração e
estas pessoas ficariam com a possibilidade de experiência nesta área alem de
que, se no futuro corresse tudo bem e houvesse lucros e as pessoas estivessem
formadas e educadas no sentido de poupar e rentabilizar até poderiam receber
com o seu trabalho ali, mas isso seria visto no futuro. Até lá, o corpo técnico
e formador teriam um papel muito importante na ajuda da construção de um futuro
mais integrador e "risonho" para estas pessoas que tanto necessitam
de ajuda.
Em termos de enquadramento
teórico, iria deter-me em 4 pontos chave: a exclusão social, o paradigma da
fome no mundo, as respostas sociais (nas quais INOVAR é necessário) e na
questão da globalização (pois já existem muitas zonas do globo onde a cozinha
social já está a ser realizada) para entender o que se pode aprender com outros
países.
Por fim, penso que este projecto
tem tudo a ver com a cadeira onde se insere, Globalização, Justiça Social e
Direitos Humanos. Projectos como a "cozinha social" já existem em inúmeros
paises do globo tais como Brasil e até mesmo em Portugal, contudo em formatos
diferentes daqueles que eu estou a querer projectar com este projecto, depois a
questão da Justiça Social, será justo este problema da exclusão não ser
resolvido e pessoas viverem no limiar da pobreza, com fome e sem casa em pleno
século XXI, em plena Era moderna de desenvolvimento? Será que é licito viver
com fome? E sem emprego? E sem casa? Etc e etc.
Relativamente aos Direitos
Humanos, uma das necessidades básicas é a alimentação, ela será das primeiras
que tem de ser resolvida para estas pessoas em situação de exclusão ou de
pobreza e também será das necessidades que, não estando resolvida poderá
exclui-las cada vez mais. Para demonstrar a pertinência do estudo em relação a
esta questão da cadeira que são os Direitos Humanos, apresento uma citação
retirada da Declaração Universal dos Direitos Humanos - Artigo 25, que tive
oportunidade de ler num trabalho que consultei online:
“ Toda pessoa tem direito a um nível de vida adequada, que lhe assegure,
assim como à sua família, a saúde e o bem-estar,e, de modo especial a
alimentação, o vestuário, a habitação, a assistência médica e os serviços
sociais necessários”. (Declaração Universal dos Direitos Humanos – Artigo 25).
Para concluir, não mudei o tema nem os objectivos do projecto, simplesmente
o adequei às necessidades temporais que tenho para o concluir e ás necessidades
que sei existirem na zona onde vivo e á maior facilidade em contactar com as
associações desta zona que conheço e onde sempre vivi.
Espero brevemente ter mais noticias e se houver alguém interessado em
sugerir algo é só escrever :)
Margarida Piçarra Navalhinhas